Do Rio de Janeiro para Budapeste

Quantos tropeços devem ocorrer para se aprender uma língua estrangeira? Inspirado no livro de mesmo nome de Chico Buarque, Budapeste é um filme para encher os olhos. Encher os olhos com as lindas paisagens com a suavidade de um trama poética e diferente para o cinema Nacional.
Assim como no livro, José Costa – interpretado por Leonardo Medeiros – é um ghost-writer. Um escritor que escreve para personalidades e nunca é reconhecido, pois seu nome não é citado como o autor. Ele, portanto, escreve sem levar a fama. Essa é a questão principal, porém, outro assunto em plano de fundo está relacionado ao desafio de apreender uma nova língua. Nada mais complicado que o Húngaro, definida pela personagem Kriska como o único idioma para falar com o Diabo.
Mas o estompim da história é quando Costa escreve um livro sobre um estrangeiro no Rio de Janeiro, o título do livro é O Ginógrafo. O livro vira um sucesso. Até a jornalista, apresentadora de um telejornal, Vanda (Giovanna Antonelli), mulher de Costa, se deslumbra com a obra. Costa, atormentado pela suspeita de Vanda estar interessada no escritor, viajar para Budapeste.
Ele deseja esquecer tudo. O português, a vida no Brasil. Em uma livraria ele conhece Kriska (Gabriella Hámori). Será com ela que aprende a falar e escrever húngaro. Por ela, Costa se apaixona. O ex-marido de Kriska, também é um escritor. Costa, o conhece em um encontro de ghost-writer, em Budapeste. Já adaptado à língua, ele começa a escrever monografias, livros de poesia e outros escritos no novo idioma. No auge de sua aproximação com o país, ele é deportado, pois o visto está vencido. De volta ao Brasil. Vai atrás da mulher e do filho. Em pouco tempo, recebe um telefonema para voltar para Budapeste.

Chico Buarque aparece no final do filme

Chico Buarque aparece no final do filme

Quando ele chega, uma multidão está lhe esperando, pedindo autógrafo, inclusive o Chico Buarque pede autógrafo à Costa. Mas ele não havia escrito nenhum livro. Kriska, está lá, orgulhosa dele. E com o livro na mão – Budapeste. Ele diz: – Não, mas não é meu esse livro. Mas ninguém acredita e sorri para ele. Costa, então experimenta o outro lado. O lado da fama, da fama daquilo que ele não fez.
Contudo, assim como o livro, não é um filme linear, o espectador não consegue definir ao certo o que é devaneio, sonho ou realidade, passado, presente ou imaginação. Ao assistir esse filme, estamos diante de um problema incomum e pouco refletida, pois podemos estar diante de vários ídolos falsos, pois terceiro podem estar por trás de poesias, músicas e livros que tanto admiramos. Por isso, e pela maestria da obra, vale a pena conferir, tanto o livro de Chico Buarque quanto o filme de Walter Carvalho.

Confira o trailer:

1 Comentário

  1. Fiquei curioso para ver o filme. Com certeza, neste mundo tecnológico onde tudo é imediato, com certeza há muitas obras de personalidades que tem contribuições anonimas. A questão é saber como distinguir o que é do que não é. Como conhecer o traço de dado escritor?
    Me chamou a atenção a questão de não saber distinguir o que é real do que não é. Parece um filme interessante. Vou tentar assistir. bjao.


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