Última Parada 174, Bruno Barreto
Dessa vez eu não estava só. Por um instante, esse fato causou-me estranhamento. Assistir ao Última Parada 174 ao lado de um amigo, nada comum para alguém acostumada a longas jornadas de cinema solo. Realmente, a percepção é diferente. A gente pode compartilhar sentimentos, dúvidas e reflexões antes, depois e durante a sessão. Talvez, por essa razão, esteja tão difícil preencher esses espaços em branco.
Bruno Barreto conseguiu me iludir. Por um momento, achei que tudo aquilo era verdade de novo. Mas era um sonho. Um sonho que durou 111 minutos e algumas horas depois continuei a acreditar nele. Oito anos, esse é o intervalo de tempo para refletir sobre uma sociedade doente. Em 2002, José Padilha propôs novas abordagens ao caso no documentário Ônibus 174. Esse episódio poderia ser datado para hoje, não importa, nada seria diferente. A mídia estaria lá pronta para descontextualizar e informar o fato na sua forma mais superficial.
Pena que o sonho demore tanto para ser assimilado. Tantos anos de espera, para assistir a um filme, com personagens ficcionais, frases elaboradas, cenários planejados. Tudo de mentira, mas o resto todo era verdade. O cinema fez o que a televisão ignorou. Dados ao vivo, contribuíram e alimentaram a sociedade em sua forma estúpida de julgar o ser humano individualmente. Somos parte de um mesmo sistema, somos um e o outro, e mesmo assim, estamos sós.
Ao meu lado, alguém que eu posso falar meus devaneios e, por mais idealistas que sejam esses meus pensamentos, ele sempre me surpreenderá com um tom de libertário voraz. É preciso acordar e parar de se afogar em mares tão rasos. Nessa história, mais uma vez, o protagonista foi o poder. O poder está entranhado nas veias do ser humano e corre feito sangue. Qualquer forma de ser mais ou menos poderoso nos afasta. Qualquer forma de controlar nos descontrola.
Juliana CC
4 Comentários
RSS Comentários URI identificador de trackback

mto bom o texto
acho que tu captou bem oq o filme quis dizer, a essência disso…
e a frase…
bom, a frase talvez seja o que de melhor o filme deixou…
perceber que vivemos em meio ao lixo já é um bom começo para se mudar a consciência…
besossss
“Uns pagam com dinheiro, outros com o coração”
Quando escutei essa na sala escura
me tocou.
horrores
bjooo
Ainda não tive a oportunidade de conferir o Última Parada 174, mas com certeza está em minha lista de filmes a ver. Mas nem por isso deixo de expressar minha opinião sobre o tema discorrido.
Ao vermos filmes desta ordem, como por exemplo Sobre Leões e Cordeiros, sempre nos indagamos de qual o nosso papel nisso tudo? Até que ponto influenciamos nesta luta pelo poder?
Acontecimentos como estes só nos envergonham, dos dois lados da escala. Tanto do sequestrador, quanto da cobertura dada pela mídia. Filmes como este reiteram nossa responsabilidade.
O marcado invadiu o espaço privado e o controla.