Sociedade doente

A sociedade matou Luísa. Tabus, preconceitos e os desejos sufocados somados a uma paixão avassaladora são os sintomas de uma doença terminal. As chances de sobreviver se resumem a zero. Guardar sentimentos e escondê-los transforma o ser humano em um ser de faz-de-conta. O medo de arriscar também habita os corações aflitos, assim, distancia-se de verdades, então, proibidas.

Como já cantava Caetano Veloso “é proibido proibir”. O interessante do texto de Eça de Queiroz é essa forma passional de dizer à sociedade: “Acordem!” A personagem Juliana, empregada doméstica do casal Luísa e Jorge, de uma forma nada simpática apresenta uma situação social comum até hoje: “a desigualdade”.

Na adaptação para o filme brasileiro Juliana é interpretada por Glória Pires. O desgosto pelo sistema desigual entre as classes sociais é motivo de revolta dela contra a patroa. Assim como o desejo de desfrutar das mesmas mordomias. Ao invés de ser uma personagem bondosa, ela é “má” e assume essas características tanto no comportamento como na atitude chantagista.

A estréia do filme Primo Basílio nos cinemas foi a segunda publicação desse blog. Nesse período eu ainda não sabia como seria o formato dessa página. Na segunda-feira, agora, assisti à obra de Daniel Filho. Portanto, quase um ano depois do início do Sala de Cinema. E isso só aconteceu porque me deparei com a obra na escada da minha casa ao chegar da faculdade às 22h45min. Lembrei na hora desse fato e aguardei mais umas duas horas antes de ir dormir.

Juliana CC

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